"Eu amo você". Um arrepio que vem da nuca e vai espalhando prazer por todo corpo através da espinha. Ele me ama, o que mais importa?
Saio de casa apressada, tenho uma entrevista de emprego e não posso me atrasar. Aí o metrô quebra. Uma onda de tristeza vai aparecendo... mas ele me ama, o que mais importa? Deixo pra lá a entrevista de emprego, "Ah, outras virão mesmo" e vou andando pelas ruas, com uma voz ecoando: "Eu amo você".
Bem, o dia não está perdido tenho outras coisas pra fazer. Tenho que entregar o livro que eu peguei emprestado há semanas na faculdade, com uma multa ultrapassando o limite da minha conta bancária. Saio correndo pra pegar o ônibus, mas sei lá quem se enfiou no meio, só sei que tropecei, caí e o livro voou longe e todos os ônibus que trafegavam ali conseguiram passar por cima dele. Foi até bonito: o livro voava de um lado para o outro e suas folhas giravam como em redemoinho. Tento praguejar e então lembro: ele me ama, o que mais importa? Dá-se um jeito. Sento na parada e espero o próximo ônibus com uma voz ecoando na cabeça: "Eu amo você."
Vinte, trinta, quarenta minutos passam. Nada. O livro não dava mais, só que a última prova do semestre, essa eu precisava fazer. Uma hora... parei de contar. Peguei o ônibus que veio lá da eternidade e fui esperançosa que desse tempo. Nem olho o relógio. Desço correndo em direção à faculdade. Cheguei e... a porta estava fechada. Um nó na garganta vai se formando, assim como lágrimas nos olhos... mas ele me ama, o que mais importa? Isso deve ter uma solução mesmo.
Decidi ir andando um bom trecho a pé, só pra ouvir mais aquela voz ecoando: "Eu amo você". Ando sorrindo como uma criança até que alguém puxa minha bolsa e leva tudo o que eu tinha, que era praticamente nada. Começo a formular um "que dia maldito..." que termina mesmo com "ele me ama, tudo está bem". Pego um ônibus qualquer, chego em casa. Tranco a porta do quarto e deito. "Eu amo você" ecoando por toda parte. Sorrio durante minutos. Vou sorrindo até que paro. Uma pontada no coração e um semblante de tristeza tomam a cena. E eu digo: "Ele me ama... mas até quando?".
Então durmo, enquanto o vento uiva em minha janela a tragédia do amor.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Você nem estava lá.
Ouvindo o tic tac do relógio. Um sorriso saudoso no canto do rosto. Pensei em quando você agarrou minhas pernas e disse que aquilo seria eterno. Esse momento nunca existiu. Mas ninguém irá ousar e dizer que não.
Um sorriso prazeroso no canto do rosto. Lembrei do dia em que você tocava meus cabelos, olhando pro meu rosto e filosofando que o universo começava em meus olhos. Esse momento nunca existiu. Mas ninguém irá ousar e dizer que não.
Uma lágrima de emoção caindo de um olho. Lembrei do dia em que eu estava sentada no banco da praça, pensando na minha pequenez diante do céu azul que pairava sobre mim enquanto você dizia que eu era grande, porque o céu só existia mesmo por conta dos meus olhos. Esse momento nunca existiu. Mas ninguém irá ousar e dizer que não.
Mãos sobre a cabeça. Lembrei do dia em que você atravessou a rua e eu nunca mais te vi no meio da multidão. Esse dia existiu. Mas ninguém irá ousar e dizer que sim.
Mas eu irei ousar e dizer: nem mesmo ouvi o som da tua voz e nem soube seu nome. Você nunca esteve lá.
O relógio então parou. E junto com ele meu coração.
Um sorriso prazeroso no canto do rosto. Lembrei do dia em que você tocava meus cabelos, olhando pro meu rosto e filosofando que o universo começava em meus olhos. Esse momento nunca existiu. Mas ninguém irá ousar e dizer que não.
Uma lágrima de emoção caindo de um olho. Lembrei do dia em que eu estava sentada no banco da praça, pensando na minha pequenez diante do céu azul que pairava sobre mim enquanto você dizia que eu era grande, porque o céu só existia mesmo por conta dos meus olhos. Esse momento nunca existiu. Mas ninguém irá ousar e dizer que não.
Mãos sobre a cabeça. Lembrei do dia em que você atravessou a rua e eu nunca mais te vi no meio da multidão. Esse dia existiu. Mas ninguém irá ousar e dizer que sim.
Mas eu irei ousar e dizer: nem mesmo ouvi o som da tua voz e nem soube seu nome. Você nunca esteve lá.
O relógio então parou. E junto com ele meu coração.
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