Este texto é para os poucos que se mantêm ao meu lado, independente da minha estação...
Hoje eu lembrei de um passado não muito distante em tempo, mas tão distante em emoções... Isso porque eu ouvi uma música. Mas não foi bem a melodia que escutava naqueles tempos que me fez recordar, e sim uma palavra de significado amplo para mim: chuva. Pode soar estranho, afinal para muitos chuva é apenas água. Às vezes tem um significado poético, normalmente ligado a lágrimas, tristeza. Mas não é isso que representa para mim neste momento. Chuva me faz lembrar de casa. Chuva me faz lembrar de todos vocês que fazem parte do meu coração, ainda que não sejam muitos - na verdade admito que sejam raros... A época em que eu ouvia "The rain song" também era a época em que a chuva significava voltar pra casa. Lembram dessa época? Não faz tanto tempo como eu disse de início... Era a época em que, ao menor indício de chuva, nós voltávamos correndo para casa. Então nos esquentávamos juntos, e nos confortávamos... Tínhamos uns ao outros, e por vezes, até conseguíamos ver a beleza escondida na chuva que caía. E eu acreditava que essa beleza existia... E quando chovia novamente, eu sabia que tinha que voltar pra casa. Eu precisava voltar, precisava do conforto para poder ver a beleza. Ali seria sempre meu lugar, nosso lugar. Agora, ao ouvir essa música, eu apenas lembro. Não posso mais voltar pra casa. Chuva não significa casa. Chuva significa caminhar sozinha. Não existe mais casa, ainda que exista a chuva para me fazer querer voltar... não há mais como voltar... não há mais para onde voltar... e eu sigo só. E a chuva ainda cai, e cada vez mais impiedosa...
Leila Soriano
segunda-feira, 4 de março de 2013
sexta-feira, 1 de março de 2013
Minha Flor do deserto
Eu queria ver a noite estrelada. Há muito tempo eu não vejo noites estreladas. Nem sem estrelas. Nem noites. Um torpe dirá: "Olhe para o céu neste momento, e verás... ". Sobriamente eu responderei: "Tens razão...". Serei parcimoniosa com minhas palavras. Os tolos vêem com os olhos, nunca entenderão sobre minhas noites estreladas. Mas de certo que não as vejo ainda que olhe para o céu, elas não estão... elas não são.
Mas eu vejo algo além do oceano, não com meus olhos, mas com minha pele, onde toca a brisa do mar. O vento sopra a areia em meus olhos, areia de um lugar distante. É lá onde eu estou. Vagando, como um nômade, pelo deserto. Ele está onde não se pode encontrar. Mas eu vejo suas dunas castanhas, sinto o cheiro da areia, amargo o castigo do sol. O vento ainda sopra a areia, que dança pelo deserto. A areia é o tempo. As imensas dunas me provam que é tempo demais. Há quanto estou vagando pelo deserto? Aqui é sempre dia. E é sempre dia da dança do tempo. Mas é tempo de partir. É tempo de buscar, e o que eu busco é a vida. No deserto a vida é o oasis. Agora sigo, não sei quantas dunas ainda virão. Quero encontrar e contemplar a minha flor do deserto, e ela retornará ao seu verdadeiro lugar, em minha alma . E quando findar minha jornada já não será eternamente dia. E eu verei a noite. E as estrelas!
Mas eu vejo algo além do oceano, não com meus olhos, mas com minha pele, onde toca a brisa do mar. O vento sopra a areia em meus olhos, areia de um lugar distante. É lá onde eu estou. Vagando, como um nômade, pelo deserto. Ele está onde não se pode encontrar. Mas eu vejo suas dunas castanhas, sinto o cheiro da areia, amargo o castigo do sol. O vento ainda sopra a areia, que dança pelo deserto. A areia é o tempo. As imensas dunas me provam que é tempo demais. Há quanto estou vagando pelo deserto? Aqui é sempre dia. E é sempre dia da dança do tempo. Mas é tempo de partir. É tempo de buscar, e o que eu busco é a vida. No deserto a vida é o oasis. Agora sigo, não sei quantas dunas ainda virão. Quero encontrar e contemplar a minha flor do deserto, e ela retornará ao seu verdadeiro lugar, em minha alma . E quando findar minha jornada já não será eternamente dia. E eu verei a noite. E as estrelas!
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